Metas curriculares 3º ciclo

7º ano



O Castelo de Faria in Lendas e Narrativas de Alexandre Herculano

Durante o reinado de Fernando I de Portugal (1367-1383), quando da segunda guerra com Castela, a fronteira norte de Portugal foi invadida. As forças do soberano de Castela avançavam por Viseu rumo a Santarém e Lisboa, quando uma segunda coluna, vindo da Galiza penetrou pelo Minho. Saíram-lhe ao encontro forças portuguesas oriundas do Porto e de Barcelos, entre as quais se incluía um destacamento sob o comando de Nuno Gonçalves de Faria, alcaide do Castelo de Faria. Travando-se o encontro na altura de Barcelos, caíram as forças portuguesas, sendo capturado o alcaide de Faria. Com receio de que a liberdade de sua pessoa fosse utilizada como moeda de troca pela posse do castelo, guarnecido pelo seu filho, concebeu um estratagema. Convencendo o comandante de Castela a levá-lo diante dos muros do castelo, a pretexto de convencer o filho à rendição, utilizou a oportunidade assim obtida para exortar o jovem à resistência, sob pena de maldição. Morto pelos espanhóis diante do filho, pelo ato corajoso, o castelo resistiu invicto ao assalto. Vitorioso, o filho, tomou o hábito, vindo o castelo a ser sucedido por um mosteiro.
O episódio foi originalmente narrado por Fernão Lopes e imortalizado por Alexandre Herculano na obra "Lendas e Narrativas".




A pesca da baleia in As Ilhas Desconhecidas de Raul Brandão

As ilhas desconhecidas de Raul Brandão

Em 1924 Raul Brandão fez uma viagem aos arquipélagos dos Açores e da Madeira num grupo de intelectuais - entre eles Vitorino Nemésio - promovida pelos autonomistas. Dessa visita, das suas impressões e anotações, surgiu o livro As Ilhas Desconhecidas - Notas e Paisagens, em que não só descreve com particular fulgor a beleza natural das ilhas, como observa a condição do seu habitante. Obra fundamental na formação da imagem (interna e externa) destes territórios, As Ilhas Desconhecidas tornou-se um dos mais importantes e belos livros de viagem da literatura portuguesa.





Miúra ou Ladino in Bichos

Adolfo Correia da Rocha, é o nome de Miguel Torga. Este escritor nasceu em São Martinho de Anta, a 12 de Agosto de 1907 e morreu em Coimbra a 17 de Janeiro de 1995 com 87 anos.

Miguel Torga, o seu pseudónimo, foi um dos poetas e escritores portugueses mais influentes do século XX.
Destacou-se como poeta, contista e memorialista, mas escreveu também romances, peças de teatro e ensaios




Mestre Finezas in Aldeia Nova de Manuel da Fonseca

Aldeia Nova é um livro de contos de Manuel da Fonseca escrito em 1942. Foram escritos a partir do fim dos anos 20 até ao fim da década de 30. Alguns foram publicados em jornais e revistas literárias.

Ou


A Pirata de Luísa Gomes Costa

História aventurosa de Mary Read, pirata das Caraíbas. A Pirata é uma biografia ficcionada da célebre Mary Read, uma das poucas mulheres-pirata e que há memória. Conhece- se a história de Mary Read pela breve descrição que dela faz o capitão Charles Johnson na História Geral dos Piratas. Sabe-se que nasceu em Inglaterra, que foi soldado na Flandres e que foi capturada na Jamaica com a tripulação do famoso capitão Calico Jack Rackam e a sua amante, a terrível Anne Bonny. Condenadas à morte na forca, Mary Read e Anne Bonny viram a sentença adiada por estarem grávidas. Mary Read veio a morrer na prisão, em Abril de 1721.





Contos Tradicionais do Povo Português de Teófilo de Braga

As histórias que encantaram pais e avós sempre formam as primeiras a serem contadas às crianças. Antes de saberem ler vão aprendendo de cor os contos que lhes transmitem a sabedoria e os costumes do povo português. Mas os contos tradicionais não são só coisas dos mais novos. Neles encontra-se a tradição oral do povo, que perdurou ao longo dos tempos. Não esqueçamos a origem do povo a que pertencemos e todos os mitos, crenças e enigmas por ele criados.



As três maçãzinhas de oiro ou A parábola dos 7 vimes in  Os meus Amores de Trindade Coelho

José Francisco Trindade Coelho nasceu em Mogadouro, Trás-os-Montes, no dia 18 de junho de 1861, e faleceu em Lisboa no dia 18 de agosto de 1908. Formou-se em Direito pela Universidade de Coimbra. Foi delegado do Procurador Régio no Sabugal e em Portalegre. Em 1891 fixou-se em Lisboa, trabalhando primeiro como advogado e depois como juiz. Em 1907 pediu a demissão do cargo, suicidou-se no ano seguinte.




Leandro, Rei da Helíria de Alice Vieira

Esta peça de teatro para crianças e jovens (com um enredo em muitos aspetos semelhante ao de "Rei Lear", de Shakespeare) foi buscar a sua base a uma narrativa popular. Um pai decide repartir o reino pelas filhas e põe-nas à prova, acabando, contudo, por deserdar a mais nova. Esta vem a revelar-se, afinal, a única que era merecedora da sua generosidade. Vítima do próprio orgulho e castigado pela sua cegueira, o rei expia as culpas mergulhando na miséria, até ser finalmente salvo e perdoado pela filha mais nova entretanto reencontrada.
e


À Beira do Lago dos Encantos de Maria Alberta Menéres

De manhã, o Filho, chama ao Pai «Papá», o Pai pergunta que nome era aquele, o Filho responde que tinha acabado de inventar aquela palavra e até o Filho disse que não sabia o que ela significava. O Pai diz ao Filho, que eles nunca tinham inventado nada, pois já estava tudo inventado e que não sabiam o significado de quase todas as palavras, só sabiam de algumas. Depois, perguntou ao Filho se já estava pronto e transparente, mas o Filho respondeu que não, pois queria mais um dia em casa. Depois, explicou ao Filho, que tinha que lutar todos os dias pela vida. De seguida, perguntou, se as portas para o longe estavam abertas, o Filho respondeu que sim, então o Pai partiu. Depois a Mãe aparece, pergunta ao Filho se já tinha ido plantar os juncos à beira do lago dos encantos, o Filho responde que sim, já tinha plantado. Depois a Mãe vai-se embora. De seguida, Ela levanta-se, dá o bom dia a ele e pergunta no que é que Ele estava a pensar agora, Ele responde que estava a pensar no costume, em coisas que não conheciam. Passado algum tempo, lá fora aparece um OVNI, Ele e Ela cheios de curiosidade vão ver. De lá de dentro do OVNI, sai um rapaz, mas Ele e Ela, não reparam. Passado algum tempo, Ele e Ela, ficam com sono, então vão dormir. Na manhã seguinte, o Vento aparece numa cantarola e muito alegre. O rapaz, entretanto acorda e fica a conversar com o Vento. Quando Ele e Ela acordam, conhecem o rapaz e o Vento. O nome do rapaz era João. Ele e Ela, como não tinham nome, o João decidiu dar um nome aos dois. Ele passou-se a chamar Adão e Ela passou-se a chamar Eva. Depois, o Vento e o João, ensinam a Adão e EVA, o nome de vários objetos. Passado algum tempo, chega a Fada com os seus amigos, os Sentidos, que eram a Vista, o Paladar, o Ouvido, o Tacto e o Olfato. Conhecem-se depois os Sentidos, a Fada, o Vento e o João, vão ensinando mais coisas sobre aquela vida. Depois conhecem um senhor muito velho, que era o Tempo, que também ensinou várias coisas. Depois a Fada parte com os seus amigos, os sentidos. No dia seguinte, o Pai parte para muito longe com o Vento e o João. Atrás deles, às escondidas, Adão e Eva, vão atrás deles para descobrirem mais coisas sobre a vida.




História de uma Gaivota e do Gato que a Ensinou a Voar (trad. Pedro Tamen)

Esta é a história de Zorbas, uma gato grande, preto e gordo. Um dia, uma formosa gaivota apanhada por uma maré negra de petróleo deixa ao cuidado dele, momentos antes de morrer, o ovo que acabara de pôr.
Zorbas, que é um gato de palavra, cumprirá as duas promessas que nesse momento dramático lhe é obrigado a fazer: não só criará a pequena gaivota, como também a ensinará a voar. Tudo isto com a ajuda dos seus amigos Secretário, Sabetudo, Barlavento e Colonello, dado que, como se verá, a tarefa não é fácil, sobretudo para um bando de gatos mais habituados a fazer frente à vida dura de um porto como o de Hamburgo do que a fazer de pais de uma cria de gaivota...
Com a graça de uma fábula e a força de uma parábola, Luís Sepúlveda oferece-nos neste seu livro já clássico uma mensagem de esperança de altíssimo valor literário e poético.



Uma Mão Cheia de Nada Outra de Coisa Nenhuma de Irene Lisboa

«Uma Mão Cheia de Nada Outra de Coisa Nenhuma» insere-se na reedição, levada a cabo pela Editorial Presença, das «Obras de Irene Lisboa», de que estão neste momento disponíveis dez volumes; o outro volume para crianças e jovens «Queres Ouvir? Eu Conto» (1993) está também disponível na coleção «À descoberta». O prefácio pretende traçar sumariamente as principais linhas temáticas e condutoras desenvolvidas nestas histórias, quer articulando-as com os restantes livros de Irene Lisboa, quer apontando os seus processos literários, originais ou herdados de um imaginário tradicional. Com o seu lugar próprio nas «Obras de Irene Lisboa», este livro é mais um elo na cadeia de reativação do nome desta autora, assim posta mais perto de leitores maiores e mais pequenos.




O Cavaleiro da Dinamarca

No regresso de uma longa peregrinação à Palestina, o Cavaleiro tem apenas um desejo: voltar a casa a tempo de celebrar o Natal com a sua família. 
Nessa viagem, maravilha-se com as cidades de Veneza e Florença, e ouve histórias espantosas sobre pintores, poetas e navegadores. São muitas as dificuldades com que se depara, mas uma força inabalável parece ajudá-lo a passar essa noite tão especial com aqueles que mais ama.



Dentes de rato

«Lourença tinha três irmãos. Todos aprendiam a fazer habilidades como cãezinhos, e tocavam guitarra ou dançavam em pontas dos pés. Ela não. Era até um bocado infeliz para aprender, e admirava-se de que lhe quisessem ensinar tantas coisas aborrecidas e que ela tinha de esquecer o mais depressa possível. O que mais gostava de fazer era comer maçãs e deitar-se para dormir. Mas não dormia. Fechava os olhos e acontecia-lhe então uma aventura bonita, e conhecia gente maravilhosa.»


8º ano




Alexandre Herculano A abóbada in Lendas e Narrativas



Bichos de Miguel Torga

Livro recomendado no programa de português do 8º ano de escolaridade, destinado a leitura orientada na sala de aula - Grau de Dificuldade II. Também recomendado para a Formação de Adultos, como sugestão de leitura - Grau de Dificuldade I.

Escrito num registo peculiar marcado pelo recurso a um tom coloquial, a uma adjetivação específica e a diversas metáforas muito expressivas sobre uma realidade à qual se encontra intimamente ligado.
As personagens e a ação desta história têm um carácter profundamente humano com um tom dramático e até desesperado.



Homenagem ao Papagaio Verde e outras histórias de animais

Três histórias que nos falam dos sentimentos que unem os homens, crianças e adultos, e os animais! O arisco Papagaio Verde torna-se o confidente e companheiro da criança, partilhando com ela o gosto de ouvir música e o desgosto da triste prisão em que vivem, o Sultão e o lavrador, parceiros no trabalho da terra e nas folias, que se reencontram, num apertado abraço, o desgosto e o remorso sentidos pelo rapaz, perante a imagem da águia e dos seus filhinhos, os três mortos por sua culpa.




Livro recomendado no programa de português do 8º ano de escolaridade, destinado a leitura orientada na sala de aula - Grau de Dificuldade III. Também recomendado para a Formação de Adultos, como sugestão de leitura - Grau de Dificuldade I.

Uma horda de cavaleiros berberes do século XII vê-se subitamente em plena Avenida Gago Coutinho por incúria da deusa Clio, que se deixa adormecer, enredando na sua tapeçaria milenar os acontecimentos de 4 de Junho de 1148 e 29 de Setembro de 1984.
Um elevador não para de subir. Um frade no seu convento resiste ao Dia do Juízo Final. Um homem simples vive um quotidiano dantesco.
Um chimpanzé é capaz de reescrever a obra Menina e Moça. Um navio negro, desarvorado, muito maltratado pelo mar, dá à costa, trazendo consigo a pestilência. Um padre exorcista tem uma estranha particularidade anatómica.

Integrada no Plano Nacional de Leitura, A Inaudita Guerra da Avenida Gago Coutinho é uma das obras mais emblemáticas de Mário de Carvalho.



O Hobbit J. R. R. Tolkien

O Hobbit é a história das aventuras de um grupo de anões que vão à procura de um tesouro guardado por um terrível dragão. São relutantemente acompanhados por Bilbo Baggins, um hobbit apreciador do conforto e vida calma. Encontros com elfos, gnomos e aranhas gigantes, conversas com o dragão, Smaug, o Magnífico, e a presença involuntária na Batalha dos Cinco Exércitos são algumas das experiências por que Bilbo passará. "O Hobbit" é não só uma história maravilhosa como o prelúdio a "O Senhor dos Anéis".



O Mundo Em Que Vivi de Ilse Losa

Livro recomendado pelo Plano Nacional de Leitura 8º Ano de escolaridade Leitura orientada na sala de aula - Grau de dificuldade II
«Numa escrita inexcedivelmente sóbria e transparente, e através de breves episódios, este romance conduz-nos em crescendo de emoção desde a primeira infância rural de uma judia na Alemanha, pelos finais da Primeira Grande Guerra Mundial, até ao avolumar de crises (inflação, desemprego, assassínio de Rathenau, aumento da influência e vitória dos Nazistas) que por fim a obrigam ao exílio mesmo na eminência de um destino trágico num campo de concentração...» «...Há uma felicíssima imagem simbólica de tudo, que é a do lento avançar de uma trovoada que acaba por estar "mesmo em cima de nós". Assistimos aos rituais judaicos públicos e domésticos, a uma clara atração alternativa entre a emigração para os E.U. e o sionismo. Fica-se simultaneamente surpreendido pela correspondência e pelas diferenças entre o adolescer e o viver adulto em meios culturais muito diversos, pois há relances de vida religiosa luterana, católica e de agnosticismo à margem da experiência judaica ortodoxa. Perpassam figuras familiares de recorte nítido: os avós da aldeia, o pai, negociante de cavalos, desfeiteado por antissemitas e falecido de cancro, os tios progressistas Franz e Maria, o avô Markus, a amorável avozinha Ester (Kleine Oma), Paul (o jovem quase-namorado que se deixa intimidar pelo ambiente), Kurt (o jovem enamorado assolapado, culto e firme nas suas convicções). A ação é desfiada numa sucessão de fases biográficas progressivamente dramáticas - e nós acabamos por participar afetivamente de um destino ao mesmo tempo muito singular e muito típico, que bem nos poderia ter cabido. Um romance de características únicas na leitura portuguesa - e emocionalmente certeiro.» Óscar Lopes



Histórias da terra e do mar

«Uma opacidade especial parece formar-se em torno dos escritores que fizeram da clareza um imperativo. Talvez em nenhum outro livro, como neste, esse destino que também coube a Sophia de Mello Breyner Andresen se mostre com tanta evidência. Livro trágico de princípio a fim, transporta todos os sinais do confronto com o sentido enquanto experiência do caos, que a muitos se afigura incompatível com a luminosidade apolínea que a prosa apuradíssima destas Histórias parece ter o segredo de produzir. E como acontece a todos os textos a que o adjetivo "trágico" se pode aplicar sem distorção, também a arte de contar está aqui bem longe de ser deixada no sossego clássico, quase infantil, que o título enganadoramente sugere.»



O dia cinzento e outros contos de Mário Dionísio

Ensaísta, poeta e romancista, Mário Dionísio é sem dúvida uma das mais prestigiosas figuras da cultura portuguesa dos nossos dias. Além de A Paleta e o Mundo, obra em cinco volumes que a Sociedade Portuguesa de Escritores galardoou, em 1963, com o Grande Prémio do Ensaio, assinou também o romance Não Há Morte nem Princípio e os livros de poemas Poesia Incompleta e Le Feu Qui Dort, este escrito em francês.

A parte I de A Paleta e o Mundo, publicada em volume separado em 1963 com o título Introdução à Pintura, foi traduzida por espanhol em 1972.
O Dia Cinzento e Outros Contos, que ora apresentamos em edição de bolso, revela-nos em Mário Dionísio uma invulgar garra de contista. Ignorado, ou quase, pela crítica aquando do seu aparecimento, o livro cresceu com os anos no juízo dos críticos e na aceitação do público. Talvez isso se tenha devido ao facto de se tratar dum livro inovador. Efetivamente, ao apresentar esta sua edição de bolso, não podemos esquecer as palavras que acerca da obra escreveu Fernando Namora: «Relendo este O Dia Cinzento, aí estão, mais salientes do que nunca, as raízes da sua representatividade e uma densidade de atmosferas {…} que mostram quanto o neorrealismo dos anos 40 já anunciava as inquietantes sondagens e até à subtileza arquitetural da literatura do presente.»



O Mundo dos Outros de José Gomes Ferreira



Aquilo que os Olhos Veem ou o Adamastor de Manuel António Pina

A história é contada, em finais do primeiro quarte do séc. XVI, pelo físico e astrólogo Mestre João, que regressa, velho e doente, a Portugal, depois de muitos anos no Oriente, e que, à passagem do Cabo da Boa Esperança, recorda os acontecimentos de que fora, aí, testemunha muitos anos antes.
A ação narrada por Mestre João passa-se no mar, em 1501, no interior de uma nau da frota de Pedro Álvares Cabral, que o mesmo Mestre João acompanhara na sua viagem, primeiro, ao Brasil e, depois, pela rota de Vasco da Gama à Índia.
Regressando à Índia, a nau recolhera então na Angra de S. Brás, perto do Cabo da Boa Esperança, onde fazia aguada, um náufrago (Manuel) que contou uma história fantástica e terrível.



Arte de Conversação seguido de Vanessa Vai à Luta de Luísa Costa Gomes



A Ilha Encantada de Hélia Correia
(Versão para jovens de: A Tempestade de William Shakespeare)

Livro recomendado para o 8º ano de escolaridade, destinado a leitura orientada - Grau de Dificuldade II.



Mar Me Quer de Mia Couto

Livro recomendado para o 10º, 11º e 12º anos de escolaridade, destinado a leitura autónoma. Também recomendado para o 8º ano de escolaridade, destinado a leitura orientada - Grau de Dificuldade.
Um dia o padre Nunes me falou de Luarmina, seus brumosos passados. O pai era um grego, um desses pescadores que arrumou rede em costas de Moçambique, do lado de lá da baía de S. Vicente. Já se antigamentara há muito. A mãe morreu pouco tempo depois. Dizem que de desgosto. Não devido da viuvez, mas por causa da beleza da filha. Ao que parece, Luarmina endoidava os homens graúdos que abutreavam em redor da casa. A senhora maldizia a perfeição de sua filha. Diz-se que, enlouquecida, certa noite intentou de golpear o rosto de Luarmina. Só para a esfeiar e, assim, afastar os candidatos.
Depois da morte da mãe, enviaram Luarmina para o lado de cá, para ela se amoldar na Missão, entregue a reza e crucifixo. Havia que arrumar a moça por fora, engomála por dentro. E foi assim que ela se dedicou a linhas, agulhas e dedais. Até se transferir para sua atual moradia, nos arredores de minha existência.



O Diário de Anne Frank de Anne Frank

Livro recomendado para o 8º ano de escolaridade, destinado a leitura orientada - Grau de Dificuldade I.

Anne era uma rapariguinha de uma família judaica de Francfort que se refugiou na Holanda para escapar às perseguições nazis. Invadido este país, a família esconde-se com outras pessoas num "anexo" de uma casa, onde, protegida por gente corajosa e dedicada, consegue viver largo tempo sempre no terror de ser descoberta. Acabou por sê-lo. E o diário de Anne foi encontrado por acaso num monte de papéis velhos. Anne veio a morrer no campo de concentração de Bergen-Belsen. Mas o diário que essa rapariguita escreveu é, na sua perspicácia e na sua desenvoltura adolescente, um documento, um autêntico documento humano - e, só pelo facto de existir, um protesto contra as injustiças do mundo em que vivemos.


9º ano



Auto da barca do inferno de Gil Vicente

Gil Vicente (c. 1465 — c. 1536?) é geralmente considerado o primeiro grande dramaturgo português, além de poeta de renome. Enquanto homem de teatro, parece ter também desempenhado as tarefas de músico, ator e encenador. É frequentemente considerado, de uma forma geral, o pai do teatro português, ou mesmo do teatro ibérico já que também escreveu em castelhano - partilhando a paternidade da dramaturgia espanhola com Juan del Encina.
A obra vicentina é tida como reflexo da mudança dos tempos e da passagem da Idade Média para o Renascimento, fazendo-se o balanço de uma época onde as hierarquias e a ordem social eram regidas por regras inflexíveis, para uma nova sociedade onde se começa a subverter a ordem instituída, ao questioná-la. Foi, o principal representante da literatura renascentista portuguesa, anterior a Camões, incorporando elementos populares na sua escrita que influenciou, por sua vez, a cultura popular portuguesa.

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Os Lusíadas de Luís de Camões

Os Lusíadas é uma obra poética do escritor Luís Vaz de Camões, considerada a epopeia portuguesa por excelência. Provavelmente concluída em 1556, foi publicada pela primeira vez em 1572 no período literário do classicismo, três anos após o regresso do autor do Oriente.
A obra é composta de dez cantos, 1102 estrofes que são oitavas decassílabas, sujeitas ao esquema rímico fixo AB AB AB CC – oitava rima camoniana. A ação central é a descoberta do caminho marítimo para a Índia por Vasco da Gama, à volta da qual se vão descrevendo outros episódios da história de Portugal, glorificando o povo português.




Carta a El-Rei D. Manuel de Pero Vaz de Caminha

A Carta de Pêro Vaz de Caminha é o documento no qual Pero Vaz de Caminha registrou as suas impressões sobre a terra que posteriormente viria a ser chamada de Brasil. É o primeiro documento escrito da história do Brasil sendo, portanto, considerado o marco inicial da obra literária no país.

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A aia, O suave milagre ou Civilização in  Contos de Eça de Queirós

José Maria de Eça de Queiroz ou Queirós (Póvoa de Varzim, 25 de novembro de 1845 — Paris, 16 de agosto de 1900) é um dos mais importantes escritores lusos.1 Foi autor, entre outros romances de reconhecida importância, de Os Maias e O crime do Padre Amaro; este último é considerado por muitos o melhor romance realista português do século XIX.
O seu nascimento foi fruto de uma relação ilegítima entre D. Carolina Augusta Pereira de Eça e do então delegado da comarca José Maria d`Almeida de Teixeira de Queirós. D. Carolina Augusta fugiu de casa para que a sua criança nascesse afastada do escândalo da ilegitimidade.
O pequeno Eça foi levado para casa de sua madrinha, em Vila do Conde, onde permaneceu até aos quatro anos. Em 1849, os pais do escritor legitimaram a sua situação, contraindo matrimónio. Eça foi então levado para casa dos seus avós paternos, em Aveiro, onde permaneceu até aos dez anos. Só então se juntou aos seus pais, vivendo com eles no Porto, onde efetuou os seus estudos secundários.
Em 1861, matriculou-se na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra. Aqui, juntou-se ao famoso grupo académico da Escola de Coimbra que, em 1865, se insurgiu contra o grupo de escritores de Lisboa, a apelidada Escola do Elogio Mútuo.
Esta revolta dos estudantes de Coimbra é considerada como a semente do realismo em Portugal. No entanto, esta foi encabeçada por Antero de Quental e Teófilo Braga contra António Feliciano de Castilho, pelo que, na Questão Coimbrã, Eça foi apenas um mero observador.
Terminou o curso em 1866 e fixou-se em Lisboa, exercendo simultaneamente advocacia e jornalismo. Dirigiu o Distrito de Évora e participou na Gazeta de Portugal com folhetins dominicais, que seriam, mais tarde, editados em volumes com o título Prosas Bárbaras.
Em 1869 decidiu assistir à inauguração do Canal do Suez. Viajou pela Palestina e daí recolheu variada informação que usou na sua criação literária, nomeadamente nas obras O Egipto e A Relíquia.
Por influência o seu companheiro e amigo universitário, Antero de Quental, entregou-se ao estudo de Proudhon e aderiu ao grupo do Cenáculo. Em 1870, tomou parte ativa nas Conferências do Casino (marca definitiva do início do período realista em Portugal) e iniciou, juntamente com Ramalho Ortigão, a publicação dos folhetins As Farpas.


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Maria Moisés in Novelas do Minho de Camilo Castelo Branco

Novelas do Minho é o título dado por Camilo Castelo Branco a um conjunto de oito novelas suas, influenciadas pela escola realista.
Como o título indica, as novelas situam-se na sua quase totalidade no Minho (norte de Portugal).
Camilo Ferreira Botelho Castelo Branco (Lisboa, Encarnação, 16 de Março de 1825 — Vila Nova de Famalicão, São Miguel de Seide, 1 de Junho de 1890) foi um escritor português, romancista, cronista, crítico, dramaturgo, historiador, poeta e tradutor. Foi ainda o 1.º visconde de Correia Botelho, título concedido pelo rei D. Luís.

Camilo Castelo Branco foi um dos escritores mais prolíferos e marcantes da literatura portuguesa.





A galinha ou A palavra mágica  in Contos de Vergílio Ferreira

Vergílio Ferreira Nasceu em Melo, no concelho de Gouveia, em Janeiro de 1916, filho de  António Augusto Ferreira e de Josefa Ferreira. A ausência dos pais, emigrados nos Estados Unidos, marcou toda a sua infância e juventude. Após uma peregrinação a Lourdes, e por sugestão dos familiares, frequenta o Seminário do Fundão durante seis anos. Daí sai para completar o Curso Liceal na cidade da Guarda. Ingressa em 1935 na Faculdade de Letras a Universidade de Coimbra, onde concluirá o Curso de Filologia Clássica em 1940. Dois anos depois, terminado o estágio no liceu D. João III, nesta mesma cidade, parte para Faro onde iniciará uma prolongada carreira como docente, que o levará a pontos tão distantes como Bragança, Évora ou Lisboa. Este homem reuniu em si diversas facetas, a de filósofo e a de escritor, a de ensaísta, a de romancista e a de professor. Contudo, foi na escrita que mais se destacou, sendo dos intelectuais contemporâneos mais representativos. Toda a sua obra está impregnada de uma profunda preocupação ensaística.





História sem palavras, Os bárbaros, Castanhas assadas, As marchas in Este Tempo de Maria Judite de Carvalho

Maria Judite de Carvalho (Lisboa, 18 de Setembro de 1921 - Lisboa, 1998) foi uma escritora portuguesa.
Entre 1949 e 1955 viveu em França e na Bélgica. Apesar da notória qualidade e profundidade da sua obra e da sua escrita (entre o poético e novelista, entre o cómico e o grotesco, num registo ora trágico, ora ironicamente perverso), a autora permanece ainda desconhecida do grande público.
"Maria Judite de Carvalho permanece uma escritora de atualidade renovada, difícil de catalogar no estilo que geralmente lhe é associado (herdeiro do existencialismo e do chamado “novo romance”), hábil dissecadora do desespero e da solidão quotidiana na grande cidade.", conforme referido no seu perfil na página Mulheres Portuguesas do século XX. As suas obras não pretendem dar explicações ou ser tratados morais ou comportamentais pelo que a explicação é substituída pela insinuação e pela sugestão, de onde decorre a opção por uma escrita "limpa", sem excessos estilísticos, e por narrativas breves.



História comum ou O alienista de Machado de Assis   

Joaquim Maria Machado de Assis (Rio de Janeiro, 21 de junho de 1839 — Rio de Janeiro, 29 de setembro de 1908) foi um escritor brasileiro, amplamente considerado como o maior nome da literatura nacional. Escreveu em praticamente todos os gêneros literários, sendo poeta, romancista, cronista, dramaturgo, contista, folhetinista, jornalista, e crítico literário. Testemunhou a mudança política no país quando a República substituiu o Império e foi um grande comentador e relator dos eventos político-sociais de sua época.
Nascido no Morro do Livramento, Rio de Janeiro, de uma família pobre, mal estudou em escolas públicas e nunca frequentou universidade. Os biógrafos notam que, interessado pela boémia e pela corte, lutou para subir socialmente abastecendo-se de superioridade intelectual. Para isso, assumiu diversos cargos públicos, passando pelo Ministério da Agricultura, do Comércio e das Obras Públicas, e conseguindo precoce notoriedade em jornais onde publicava suas primeiras poesias e crônicas. Em sua maturidade, reunido a colegas próximos, fundou e foi o primeiro presidente unânime da Academia Brasileira de Letras





A pérola de John Steinbeck

A história, considerada pelo autor como uma parábola, tem como personagens principais Kino, um índio mexicano, sua esposa Juana, seu filho Coyotito, o povo do vilarejo, e ela… a pérola do mundo. Como personagens secundárias o livro apresenta o primo de Kino, o médico da cidade e um comprador de pérolas da cidade de Kino.
Também baseada num conto popular mexicano, A Pérola constitui uma inesquecível parábola poética sobre as grandezas e as misérias do mundo em que vivemos. É, assim, a história comovente de uma pérola enorme, de como foi descoberta e de como se perdeu... levado com ela os sonhos bons e maus que representava, mas é também a história de uma família e da solidariedade especial entre uma mulher, um pobre pescador índio e o filho de ambos.
Ao ser picado por um escorpião o filho de Kino, Coyotito passa mal e encontra-se sobe risco de morte. Kino então tenta ajuda na cidade, porém sendo considerado sub-raça (ou um animal qualquer) pelo médico, não consegue atendimento.
Decorrido um tempo, Kino põe sua canoa ao mar e se lança as águas com a esperança de conseguir uma pérola para que pudesse pagar pelo tratamento de seu filho, com as bênçãos de Juana. Acontece que Kino de fato consegue a pérola, a pérola do mundo, a maior pérola jamais vista, um "presente" que trouxe a Kino não a paz e a alegria, mas o mal e a tristeza. Quando a tenta vender, todos os compradores de pérolas não a compram por ser muito grande e como não há comprador para ela e por isto oferecem uma ninharia por ela... Kino revoltado não aceita as propostas dos compradores e argumenta que vai à capital vender a pérola...

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A Peregrinação de Fernão Mendes Pinto

A Peregrinação é uma obra literária de Fernão Mendes Pinto (nascido em Montemor-o-Velho, 1509 - morto em Pragal, 8 de Julho de 1583) pertencente à chamada literatura de viagem, próxima do que se poderia chamar crónica de viagem ou diário. É o livro de viagens da literatura portuguesa mais traduzido e famoso. Foi publicado em 1614, pelos prelos de Pedro Craesbeeck, trinta anos após a morte do autor.
A obra trata da chegada e da estadia de Fernão Mendes Pinto no Oriente. Assim pois apresenta-nos o relato das expedições dos descobridores e conquistadores portugueses. A imagem dos navegadores portugueses que perpassa nesta obra é sobretudo picaresca, assumindo-se como um anti-herói, capaz das piores façanhas para lograr os seus objetivos, geralmente pilhar e roubar as populações nativas para enriquecer e regressar à pátria.

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As aventuras de João Sem Medo de José Gomes Ferreira

Escrito em 1933 por José Gomes Ferreira, em 26 folhetins, para uma gazeta juvenil, O Senhor Doutor, sob o pseudónimo de Avô do Cachimbo, As Aventuras de João Sem Medo nascem da ideia de criar um herói que "desmistificasse os Gigantes, os Príncipes, as Princesas, as Fadas" e "permitisse criar novos mitos, tornar mágicos os objetos vulgares da vida diária e dar contorno às minhas verdades mais profundas numa linguagem de ação poética" (posfácio à 4.a ed., 1975, p. 226). A publicação em volume colige e refunde, em 1963, alguns dos episódios vividos por João Sem Medo, um herói "fala-barato de imprecações e graçolas populares, desprezador dos tiranetes e dos poderosos e, sobretudo, cheio de alegria de existir, de respirar, de acreditar nos bons sentimentos e de inventar monstros para os destruir e vencer" (Ibi., p. 231). Descrevendo o "caminho árduo" da infelicidade percorrido por João Sem Medo, um pequeno burguês resoluto em ocultar o medo, desde que saltou o muro da aldeia Chora-que-logo-bebes, a obra apresenta uma espécie de reverso do conto maravilhoso, pejado de seres e situações surrealizantes, onde a ambiguidade da escrita, tendo por destinatário um público não necessariamente infantil, permite entrever também uma sátira à situação nacional sob a ditadura: à partida, quem seguisse o caminho da felicidade completa tinha de se sujeitar a que lhe cortassem a cabeça para não pensar.



Meu pé de laranja lima de José Mauro de Vasconcelos

Meu Pé de Laranja Lima é um romance juvenil, escrito por José Mauro de Vasconcelos e publicado em 1968.
Foi traduzido para 52 línguas e publicado em 19 países. Foi adotado em escolas e, posteriormente, adaptado para o cinema, televisão e teatro.
Este livro retrata a história de um menino de cinco anos chamado Zezé, que pertencia a uma família muito pobre e muito numerosa. Zezé tinha muitos irmãos, a sua mãe trabalhava numa fábrica, o pai estava desempregado, e como tal passavam por muitas dificuldades, pelo que eram as irmãs mais velhas que tomavam conta dos mais novos; por sua vez, Zezé tomava conta do seu irmãozinho mais novo, Luís.
Zezé era um rapazinho muito interessado pela vida, adorava saber e aprender coisas novas, novas palavras, palavras difíceis que o seu tio Edmundo lhe ensinava. Contudo, passava a vida a fazer traquinagens pela rua, a pregar peças aos outros e muitas vezes acabava por ser castigado e repreendido pelos pais ou pelos irmãos, que passavam a vida a dizer que era um mau menino, sempre a fazer maldades. Todos estes fatores e o fato de não passar muito tempo com a mãe, visto que esta trabalhava muito, faziam com que Zezé, muitas vezes, não encontrasse na família o carinho e a ternura que qualquer criança precisa. Somente de sua irmã Glória, que ele carinhosamente chama de "Godóia".
Ao mudarem de casa, Zezé encontra no seu quintal da sua nova moradia um pequeno pé de laranja lima, inicialmente a ideia de ter uma árvore tão pequena não lhe agrada muito, mas à medida que este vai convivendo com a pequena árvore e ao desabafar com esta, repara que ela fala e que é capaz de conversar consigo, tornando-se assim o seu grande amigo e confidente, aquele que lhe dava todo o carinho que Zezé não recebia em casa da sua família. Zezé teve também um grande amigo o português Manuel Valadares.

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“Natal” in Novos Contos da Montanha
 
Publicada em 1944, Novos Contos da Montanha é uma coletânea de 22 contos, da autoria do consagrado escritor Miguel Torga. Contos germinados e medrados na Montanha, de acordo com palavras do próprio autor, dirigidas ao leitor, no prefácio à segunda edição "Escrevo-te da Montanha, do sítio onde medraram as raízes deste livro", estes textos narrativos, numa linha de continuidade da obra Contos da Montanha, percecionam histórias acontecidas num espaço e vividas por gentes que enformam a memória da infância e da adolescência de Miguel Torga. Este espaço, definido pelo autor, como o "Reino Maravilhoso", povoado por uma existência materialmente pobre, mas eticamente rica, foi, simultaneamente, o seu berço e a sua escola, comprometendo-se este, em nome da "consciência coletiva" do leitor, enquanto entidade responsável socialmente, a denunciar aquele quotidiano de fome, ignorância e desespero.
Testemunho da vivência sofrida dos seus "irmãos" transmontanos, estes contos ilustram personagens, de tipo torguiano que reconhecemos como "autênticas" e inteiras e que fazendo parte do Portugal de hoje, constituem uma "montra de heróis montanheses, revoltadamente livres e trágicos na sua solidão". Verdadeiras, estas são personagens detentoras de vícios e de virtudes, atuando de acordo com a circunstancialidade cultural que se vem projetando ao longo dos tempos.
 


 

 





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